quinta-feira, 30 de setembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Busco um olhar que me compreenda,
Um olhar que sorria e que me faça sorrir,
Aquele olhar que veja com o coração e fale ao meu coração,
Um olhar que me emocione, que me conquiste...
Busco um olhar que me perturbe, que me deseje...
Um olhar que em meio a todos, olhe apenas pra mim,
Um olhar amigo, um olhar amante,
Um olhar mudo, que diga tudo que preciso ouvir,
Aquele olhar que refrigere toda ansiedade e aqueça a alma,
Um olhar que me beije, que chore comigo...
Busco um olhar que não se desvie do meu,
Que me provoque, que me encare...
Um olhar de amor, de admiração, de respeito,
Tudo começa no olhar,
Olhares se cruzam numa fração de segundo,
E se apaixonam...
Aprisionam-se numa eterna necessidade...
E que prisão maravilhosa!
Busco um olhar que me acomode na masmorra de seu castelo...
Um olhar que me prenda e me encante pra sempre!
Um olhar que sorria e que me faça sorrir,
Aquele olhar que veja com o coração e fale ao meu coração,
Um olhar que me emocione, que me conquiste...
Busco um olhar que me perturbe, que me deseje...
Um olhar que em meio a todos, olhe apenas pra mim,
Um olhar amigo, um olhar amante,
Um olhar mudo, que diga tudo que preciso ouvir,
Aquele olhar que refrigere toda ansiedade e aqueça a alma,
Um olhar que me beije, que chore comigo...
Busco um olhar que não se desvie do meu,
Que me provoque, que me encare...
Um olhar de amor, de admiração, de respeito,
Tudo começa no olhar,
Olhares se cruzam numa fração de segundo,
E se apaixonam...
Aprisionam-se numa eterna necessidade...
E que prisão maravilhosa!
Busco um olhar que me acomode na masmorra de seu castelo...
Um olhar que me prenda e me encante pra sempre!
Alda Marques
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Até o momento, uma vida vivida de muitas e significativas conquistas, mormente em decorrência de habilidades inatas com a palavra preponderantemente expressa pelo “Português”, cujo máximo grau de aperfeiçoamento passa pela maneira lógica e quase “Matemática” com a qual se pode exprimir a mais consistente das argumentações.
Malgrado a “Geografia”, com seu inegável poder desagregador, insista em tornar cada vez mais distantes aqueles (locais, pessoas, coisas: lato sensu) dos quais se gostaria de permanecer próximo, há, invariavelmente, uma “História”, passada porém não olvidada, cuja simples existência mantém tão admirável quanto intangível ligação entre si e elas, o ser e o (s) objeto (s): cada uma das incontáveis lembranças de que não se poderia esquecer – pois a proximidade nem sempre precisa ser (não necessariamente) “Física” para de fato existir e subsistir.
Quando a obviedade não apenas permite como solicita o advento do pleonasmo para fazer-se mais completa, eis que se irrompe o legítimo estereótipo da “obviedade evidente”: a “Biologia” fez dos seres entes naturalmente incompletos – e talvez seja ela a grande responsável por essa busca frenética e incessante que (infelizmente?) faz da “Química” a mais malfadada das “disciplinas”; que outras em vão tentariam preencher as lacunas de uma existência que sequer precisaria ser tão singular para possuí-las indefinidamente?
Não importa o quão seja em vão: um simples paliativo se faz solução quando seu tempo é o mesmo de um mito – e o mito é o de Sisifo.
Se não todas as vidas, certamente “La vidas bandidas”, que vivenciam os mais fiéis sectários do hedonismo e do grave desperdício: (infelizmente!) não é possível obedecer em perfeita harmonia e concomitância aquilo que mais se preza e aquilo de que mais se gosta...eis o grande desafio desta invulgar existência.
Malgrado a “Geografia”, com seu inegável poder desagregador, insista em tornar cada vez mais distantes aqueles (locais, pessoas, coisas: lato sensu) dos quais se gostaria de permanecer próximo, há, invariavelmente, uma “História”, passada porém não olvidada, cuja simples existência mantém tão admirável quanto intangível ligação entre si e elas, o ser e o (s) objeto (s): cada uma das incontáveis lembranças de que não se poderia esquecer – pois a proximidade nem sempre precisa ser (não necessariamente) “Física” para de fato existir e subsistir.
Quando a obviedade não apenas permite como solicita o advento do pleonasmo para fazer-se mais completa, eis que se irrompe o legítimo estereótipo da “obviedade evidente”: a “Biologia” fez dos seres entes naturalmente incompletos – e talvez seja ela a grande responsável por essa busca frenética e incessante que (infelizmente?) faz da “Química” a mais malfadada das “disciplinas”; que outras em vão tentariam preencher as lacunas de uma existência que sequer precisaria ser tão singular para possuí-las indefinidamente?
Não importa o quão seja em vão: um simples paliativo se faz solução quando seu tempo é o mesmo de um mito – e o mito é o de Sisifo.
Se não todas as vidas, certamente “La vidas bandidas”, que vivenciam os mais fiéis sectários do hedonismo e do grave desperdício: (infelizmente!) não é possível obedecer em perfeita harmonia e concomitância aquilo que mais se preza e aquilo de que mais se gosta...eis o grande desafio desta invulgar existência.
"Vista e examinada minuciosamente de alto e de longe, a vida de cada homem tem o aspecto de uma comédia; em sua total consideração ou em seus aspectos mais dignos de apreço, se apresentará como uma contemplação trágica. O afã e o trabalho de cada dia, os desejos e receios cotidianos, as desgraças de cada hora, os acasos da sorte sempre disposta a nos enganar são outras tantas cenas da comédia. As aspirações iludidas, as ilusões desfeitas, os esforços baldados, os erros que completam nossa vida, as dores que se acumulam até terminar na morte, o último ato, eis a tragédia. Parece que o destino quis juntar o escárnio ao desespero, e, fazendo de nossa vida uma tragédia, não nos permite conservar a dignidade de uma personagem trágica. Por isso é que em todos os atos da vida representamos o lamentável papel de cômicos."
(A Tragicomédia de nossa vida - A. Schopenhauer).
(A Tragicomédia de nossa vida - A. Schopenhauer).
sexta-feira, 25 de junho de 2010
— o rio. Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio. Guimarães Rosa - A Terceira Margem do Rio
“Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente estou em repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras eu quero a doçura do verbo viver.”
(De um louco anônimo — transcrito por Caco Barcelos na reportagem “Crime e loucura “, publicada na extinta Folha da Manhã, Porto Alegre, RS.)
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente estou em repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras eu quero a doçura do verbo viver.”
(De um louco anônimo — transcrito por Caco Barcelos na reportagem “Crime e loucura “, publicada na extinta Folha da Manhã, Porto Alegre, RS.)
quarta-feira, 23 de junho de 2010
porque o tempo cheira a lírios
com seu umbigo de sol e de princípios.
com seu umbigo de sol e de princípios.
"Sempre te amerei, pois mesmo sem nunca ter me respondido nada, sempre me correspondeu."
" tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça."
Escrever é sempre deixar de dizer.
Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
" tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça."
Escrever é sempre deixar de dizer.
Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
E só posso amar à evidência desconhecida das coisas..
E só posso me agregar ao que desconheço...
E só posso me agregar ao que desconheço...
Apareceis novamente, sombras vaporosas,Que outrora enhestes meus olhos, radiosas? Lograrei que fiquem junto a mim, por fim? Meu coração se entrega às seduções assim? Que poder de atração!Conseguis de uma em uma, manter-me envolto em sonho, mergulhado em bruma; meu ser se renova, milagrosamente, Tocado pelo sopro vindo de vós, tão ardente!
Sou um costume temido e frágil, que vê conforto no castigo, prazer no fascínio e dor na vitalidade.
Construo minha vida na lama. Não vivo sem me sujar, sem me doar ou doer. A dor só é interna e vasta.Não se faz entender por palavras.
Diariamente me presenteio com choques meticulosos na carcaça ameaçada. Eles me fortalecem e me fazem sentir morta-viva. Dão aconchego aos escrúpulos e calam as ponderações. Em mim só se faz delírio!
Sisudez só se dá pra quem não vê. Eu não me revelo por atos. Só por sobressaltos. E se é pra revelar algo oculto eu bem digo que bem logo eu vou submergir e abismar esse corpo cheio de devassidão.Acabarei com os devaneios perturbadores que não se fazem calar! Irei galgar num sobremundo de sutileza e perfeição, onde o nada governará deliberadamente.
Quanto sonho há em mim! Quanto sangue há pra esgotar!
Construo minha vida na lama. Não vivo sem me sujar, sem me doar ou doer. A dor só é interna e vasta.Não se faz entender por palavras.
Diariamente me presenteio com choques meticulosos na carcaça ameaçada. Eles me fortalecem e me fazem sentir morta-viva. Dão aconchego aos escrúpulos e calam as ponderações. Em mim só se faz delírio!
Sisudez só se dá pra quem não vê. Eu não me revelo por atos. Só por sobressaltos. E se é pra revelar algo oculto eu bem digo que bem logo eu vou submergir e abismar esse corpo cheio de devassidão.Acabarei com os devaneios perturbadores que não se fazem calar! Irei galgar num sobremundo de sutileza e perfeição, onde o nada governará deliberadamente.
Quanto sonho há em mim! Quanto sangue há pra esgotar!
''E o tempo gera a sombra em que me abismo''. Mihai Eminescu
terça-feira, 22 de junho de 2010
Hölderlin
‘Penso nos gestos esquecidos, nos múltiplos acenos e palavras dos avós pouco a pouco perdidos, não herdados, caídos um a seguir ao outro da árvore do tempo. Esta noite encontrei uma vela em cima da mesa, e por brincadeira acendi-a e andei com ela pelo corredor. O ar do movimento ia apagá-la, então vi a minha mão esquerda levantar-se sozinha, fazer uma cova, proteger a chama como um abatjour vivo que afastava o ar. Enquanto a chama se colocava novamente aberta, pensei que esse gesto tinha sido o de todos nós (pensei nós e pensei bem, ou senti bem) durante milhares de anos, desde a Idade do Fogo até ao dia em que no-lo trocaram pela luz eléctrica. Imaginei outros gestos, o das mulheres a levantarem a ponta das saias, o dos homens a procurarem o punho da espada. Como as palavras perdidas da infância, ouvidas pela última vez da boca dos velhos que iam morrendo. Em minha casa já ninguém diz a "cómoda de alcânfora", já ninguém fala dos "tripés". A mesma coisa para as músicas de época, para as valsas dos anos vinte, as polkas que tanto enterneciam os nossos avós.
Penso nesses objectos, nessas caixas, nesses utensílios que aparecem às vezes nas despensas, nas cozinhas e em esconderijos, cujo uso já ninguém é capaz de explicar. Que vaidade a de pensar que compreendemos as obras do tempo: ele enterra os seus mortos e guarda as chaves. Só nos sonhos, na poesia, nos jogos - acender uma vela e andar com ela pelo corredor-, é que por vezes nos aproximamos daquilo que fomos, antes de ser isto que não sabemos se somos’
Quem pensa com mais profundidade, ama o que tem mais vida...
Penso nesses objectos, nessas caixas, nesses utensílios que aparecem às vezes nas despensas, nas cozinhas e em esconderijos, cujo uso já ninguém é capaz de explicar. Que vaidade a de pensar que compreendemos as obras do tempo: ele enterra os seus mortos e guarda as chaves. Só nos sonhos, na poesia, nos jogos - acender uma vela e andar com ela pelo corredor-, é que por vezes nos aproximamos daquilo que fomos, antes de ser isto que não sabemos se somos’
Quem pensa com mais profundidade, ama o que tem mais vida...
no fundo eu sou otimista
mas sempre penso o pior
me cansa essa vida de artista
mas cada vez o prazer é maior
mas sempre penso o pior
me cansa essa vida de artista
mas cada vez o prazer é maior
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